quinta-feira, 3 de março de 2011

A verdade

 
Roberto Lira
Fomos instigado por um frequentador do Ilha de Pala a escrever o que pensamos sobre a “verdade”. Em sua manifestação ele nos disse:
 “Por mais que busque a verdade nas minhas leituras, sinto que o conceito de verdade é relativo, é algo muito delicado, a ser conduzido com todo cuidado, tem hora e lugar para ser colocada. O que pensa sobre ela, escreva no blog?”. 
O objetivo deste weblog é compartilhar idéias, reflexões e utopias. Entendemos que esse compartilhamento nos forma/reforma e/ou nos completa. Portanto, não podemos nos furtar ao desafio de compartilhar o que pensamos sobre a “verdade”, mesmo reconhecendo nossas limitações em ampliar o que o amigo palanês sintetizou em sua manifestação.
O vocábulo “verdade” enseja varias interpretações. Assim sendo, é impossível conceituá-lo/significá-la sem determinarmos o contexto em que ela estará inserida. Para isso, considerando como principais contextos para a “verdade”  o religioso, o científico e o das vivências humanas, optamos por escrevinhar o que pensamos sobre ela no contexto das vivências humanas.
Está reflexão nos levou a examinar a “verdade” a luz de duas premissas. Uma delas é a de que o observador é separado da coisa que observa. Essa premissa caracteriza a lógica adotada no Universo cartesiano e neste a “verdade” é considerada absoluta, ou seja, ela se apresenta como acabada e depende apenas de si mesma para existir. Ao se admitir a “verdade” como absoluta ela torna-se inquestionável e, desse modo, exclui todos os que não a admitem ou que a contestam. Na lógica dessa premissa a “verdade” situa-se no externo do ser humano e pode ser capturada por um indivíduo ou grupo de indivíduos. Esses indivíduos ao se apossarem de alguma “verdade” ou “pseudo-verdade” transfiguram-se em autoridades e com aquela(s) passam a criar ideologias e ismos.
Observamos que na cultura vigente ainda é predominante a “verdade” estabelecida com a premissa de que o observador se diferencia da coisa observada. Em nosso entendimento as “verdades” absolutas têm levado nossa civilização ao descalabro que há muito estamos vivendo: guerras, fanatismos, egolatria, desamor, entre tantas outras condutas nocivas. Por outro lado, é possível observar que este paradigma está em mutação. Para o surgimento de uma nova cultura pensamos ser necessário que a “verdade” seja admitida como relativa e observo que, a cada dia surgem mais indivíduos compreendendo que a “verdade” é relativa e não absoluta.
Entendemos que a “verdade” relativa tem sua base na premissa de que o observador é parte da coisa observada, ou seja, o observador e o observado são interativos e inseparáveis, o pensador não é separado do que pensa. É certo que aquilo que observamos além do nosso interno está lá (fora do nosso corpo), mas, também, passa a existir em nossa estrutura interna como fato percebido e incorporado, e não apenas como uma representação. Ao admitirmos a relatividade da “verdade” torna-se legítimo cada indivíduo ter sua “verdade” e isto possibilita ao ser humano o direito de construir sua própria visão de mundo. Do contrário, quando admitimos a “verdade” como absoluta a diversidade/complexidade humana, inerente a nossa condição, passa a ser considerada coisa fora de questão.
Na lógica da “verdade” relativa é subjacente que ela é construída nas interações entre o ser humano e o mundo que o cerca. Ela não é pré-existente. Desse modo, a “verdade” só pode ser percebida momento a momento. Daí, entendermos que para vivenciarmos a “verdade” verdadeira (para nos a relativa) precisamos nos manter no aqui e agora.
É ISSO, no momento, o que pensamos sobre a “verdade”.

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