quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Polêmicas construtivas

Roberto Lira

No Mural de Recados de um site de minha cidade natal – http://www.bomconselhopapacaca.com.br –, o conterrâneo Ronaldo Dias postou uma mensagem que faz referência a um texto do articulista da Folha de São Paulo, Hélio Schwartsman, intitulado Fundamentos do Ateísmo. Como gosto de acompanhar polêmicas que envolvem religião e ciência, fui ao texto.
Ao ler o referido texto, talvez, por considerar-me agnóstico, de pronto consenti com a opinião do articulista. Entendendo que os argumentos nele apresentados são construtivos para a superação humana, resolvi compartilhá-lo com os possíveis leitores deste blog. O texto pode ser visto em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/1019342-fundamentos-do-ateismo.shtml.
Com a palavra Helio Schwartsman:
Fundamentos do ateísmo
SÃO PAULO – Já que dois amigos meus, Ives Gandra Martins e Daniel Sottomaior, se engalfinharam em polêmica acerca de um suposto fundamentalismo ateu, aproveito para meter o bedelho nessa intrigante questão. Como não poderia deixar de ser, minha posição é bem mais próxima da de Daniel que da de Ives.
Não se pode chamar de fundamentalista quem exige provas antes de crer. Aqui, o alcance do ceticismo é dado de antemão: a dúvida vai até o surgimento de evidências fortes, as quais, em 2.000 anos de cristianismo, ainda não apareceram.
Ao contrário, dogmas vão contra tudo o que sabemos sobre o mundo. Virgens não costumam dar à luz e pessoas não saem por aí ressuscitando. Em contextos normais, um homem que veste saias e proclama transformar vinho em sangue seria internado. Quando se trata de religião, porém, aceitamos violações à física e à lógica. Por quê?
Ou Deus existe e espera de nós atitudes exóticas – e inconsistentes de uma fé para outra –, ou o problema está em nós, mais especificamente em nossos cérebros, que fazem coisas esquisitas no modo religioso.
Fico com a segunda hipótese. Corrobora-a um número crescente de cientistas que descrevem a religiosidade ou sua ausência como estilos cognitivos diversos. Ateus privilegiam a ciência e a lógica, ao passo que crentes dão mais ênfase a suas intuições, que estão sempre a buscar padrões e a criar agentes.
Posta nesses termos, fé e ceticismo se tornam um amálgama de influências genéticas e culturais difícil de destrinchar – e de modificar.
Como bom ateu liberal, aplaudo avanços no secularismo, já que contrabalançam o lado exclusivista das religiões, que não raro degenera em violência e obscurantismo. Mas, ao contrário de colegas mais veementes, acho que a religião, a exemplo do que se dá com filatelia, literatura e sexo, pode, se bem usada, ser fonte legítima de bem-estar e prazer.”
Refletir é preciso, aqui e agora!

Um comentário:

  1. Caro Roberto,

    Vi sua postagem e até fui ao Mural do SBC. O Ronaldo Dias levantou um tema que não dá para ser tratado no mural e você fez bem em trazê-lo para cá. Eu, de minha parte, como não posso comentar tudo aqui em seu blog, pois ainda estou em tratamento de minha prolixidade, ainda sem cura, o levei para o meu Blog.

    Como você sabe este assunto não tem fim, a não ser no juízo final onde só ficarei olhando, do céu, você indo para outro lugar junto com nosso amigo Cleómenes Oliveira. Resolvi, pois estou em tratamento de dieta de letras, desencavar o que escrevir um dia a respeito e o publico em meu Blog, citando o seu e os outros envolvidos, no crime, segundo Zetinho, que é discutir religião. Se puder dar uma passada lá eu ficarei honrada.

    Aqui eu só posso citar um pedacinho do que está lá, e o texto nem meu é:

    “Neste momento parece que a ciência nunca será capaz de erguer a cortina acerca do mistério da criação. Para o cientista que viveu pela sua fé na força da razão, a história encerra como um sonho ruim. Ele escalou as montanhas da ignorância; vê-se prestes a conquistar o pico mais alto; à medida que se puxa para a rocha final, é saudado por um bando de teólogos que estiveram sentados ali durante séculos.”

    Lucinha Peixoto (Blog da Lucinha Peixoto)

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